Feliz dia dos namorados
Feliz dia dos namorados
Meu bebê tá aniversariando.
Talvez eu quisesse me enganar
E o que eu sei, se ninguém sabe que eu sei, existe?
Se já morreram as amigas que sabiam do segredo morreu o segredo, mais a lembrança ainda me emociona.
Dos livros que li, dos que esqueci, dos que me fizeram chorar, fazem parte de mim.
E as músicas que sabíamos juntas? Ninguém mais sabe e você se foi.
E ninguém quer saber.
Estou fingindo de ser no orkuts/myspace/blog… e afins.
Estou sem dinheiro pra ser na vida real. Você se foi talvez sabendo que agora dinheiro é ser e não ter, como quando existíamos juntas.
Dessa vidinha que vivo é trabalho, do lúdico eu sinto tudo sozinha.
Sempre foi assim? Pra todo mundo?
E querer a ilusão de volta seria errado. Mas estou viva.
Dentro de mim o universo delira. Comigo.
(Para; Patrícia Renata, Marcão, Andréia Loka)
Composição: Indisponível
Língua
Caetano Veloso
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
(– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô
– Você e tu
– Lhe amo
– Qué queu te faço, nego?
– Bote ligeiro!
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.
Assim
Trabalhar?
A corda acorda o desejo de matar ou salvar.
O sal da macumba serve pra cozinhar.
Cedo ou tarde seu dia começa ao acordar.
Superfície ou profundidade é escolha.
Descansar?
Da internet você quer usar…?
Assim
O limão da vida serve pra limonada(peraê limão não)
Limão é sempre bão.
Tudo é vaidade. (Eclesiastes)
Sua colher